quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Síndrome de Down na escola

Se na sua escola tem uma criança com síndrome de Down, você já deve ter tido vontade
de saber algumas coisas sobre ela, não é? Vamos aproveitar a história de Max, o menino que você acabou de conhecer, para pensar um pouco sobre esse assunto.
Max é um menino que, embora seja diferente em algumas coisas, vive como todas as
outras crianças: brinca, briga, estuda, tem amigos, joga futebol, se diverte e... vai para a escola.
Assim como você, ele precisa estudar, se preparar para a vida adulta e, mais importante que tudo isso, estar perto das outras crianças, fazendo as mesmas coisas que elas fazem.
Você já pensou como seria sua vida se não pudesse conviver com seus amigos todos os
dias, participar das brincadeiras, conversar, estudar, divertir-se com eles? Seria bem chata, não acha? E o lugar onde as crianças podem fazer tudo isso é a escola.
Na verdade, existem escolas feitas para crianças que, como Max, têm alguma síndrome
ou outra coisa que faz com que não sejam exatamente iguais às outras crianças. Mas como é que essas crianças podem aprender a fazer as coisas que todo mundo faz vivendo longe dos outros?
Você sabia que, durante muito tempo, as crianças com síndrome de Down não iam para
a escola ou só podiam estudar em escolas especiais? Hoje, as coisas são diferentes, e todas as crianças do mundo contam com o direito (garantido por lei) de estudar em uma escola onde tenha lugar para todos.
Talvez Max não aprenda tudo o que a maioria das crianças da classe dele está
aprendendo, mas isso não quer dizer que ele não seja capaz. Talvez ele tenha só uma forma diferente de aprender algumas coisas.
Você percebeu que em alguns momentos da história Max faz uma atividade, e as
crianças fazem outra? Isso acontece porque os professores foram, pouco a pouco, conhecendo Max e descobrindo qual a melhor forma de ensinar cada coisa a ele. Max é uma criança com necessidades educativas especiais, ou seja, na escola, ele precisa de algumas ajudas que a maioria das crianças não precisam.
Você viu que na classe dele tem uma menina que usa uma cadeira de rodas para se
locomover. Ela também tem necessidades educativas especiais, mas são diferentes das de Max.
E você pode encontrar também outras crianças com síndrome de Down que precisam de outras formas de ajuda.
Se você prestar atenção nas crianças da sua escola, vai ver que mesmo aquelas que
precisam dessa ajuda podem fazer a maioria das coisas que todo mundo faz sozinha ou até melhor.
Todas as pessoas são diferentes umas das outras e podem ser melhores em algumas
coisas e piores em outras, independentemente do fato de ter alguma síndrome ou deficiência.
Em todas as escolas você vai encontrar alunos de todos os tipos: os que são bons em
matemática, mas ainda não conseguem escrever tudo direitinho; outros que escrevem muito bem, mas vão precisar da ajuda de alguém para fazer um desenho; os que não são bons nos esportes, mas vivem ajudando todo mundo a fazer as lições...
A escola é um lugar onde todo mundo pode aprender e ensinar coisas; e a síndrome de
Down não impede ninguém de fazer isso.
Algumas pessoas dizem que crianças com Down são doentes. Mas é importante a gente
saber que algumas síndromes são muito diferentes de uma doença. Veja bem: as doenças, na maioria das vezes, saram quando tomamos remédio ou ficamos em repouso por algum tempo.
Mas isso não acontece com certas síndromes, que apenas fazem algumas pessoas terem seus organismos construídos de um jeito um pouco diferente, e por isso também vão ter algumas características diferentes. Elas podem ter os olhos puxados, as orelhas um pouco mais baixas...
Mas não são doentes, mesmo porque quem está doente não vai para a escola, fica em casa até se sentir melhor.
Há uma outra coisa muito importante pra gente pensar. O fato de um aluno da sua
escola ter algum tipo de necessidade especial não quer dizer que ele precise ser tratado de um jeito diferente. E muito menos que ele terá mais direitos que os outros. Isso não seria justo, não é? Todas as crianças têm os mesmo direitos, e o mais importante deles é ter suas necessidades atendidas. Assim, essas crianças só devem receber um tratamento diferente naquilo que realmente precisam.
O fato de Max ter um jeito diferente de aprender algumas coisas não quer dizer que ele não tenha que se esforçar para fazer suas lições (que, para você, podem parecer fáceis, mas para ele não são) do melhor jeito que conseguir para tirar uma boa nota. Se não for assim, ele não vai aprender nada, e isso não é bom para ninguém.
Respeitar os colegas que têm necessidades especiais não significa deixar que eles
façam tudo o que têm vontade e nem que nós precisamos ser tolerantes com eles o tempo todo,em qualquer situação. As regras e os combinados de uma escola e de uma sala de aula valem para todo mundo, sem exceção. E, para que todos se sintam bem quando estão juntos, é preciso que sejam respeitados.
Muitas vezes, podemos não saber como agir quando somos incomodados ou agredidos
por alguma dessas crianças. Mas pode ser mais fácil se todas as vezes que isso acontecer, você se perguntar: “O que eu faria se fosse outra criança qualquer?”. Talvez a resposta esteja aí.
Síndrome nenhuma dá o direito de desrespeitar os outros. Por isso, você tem todo direito de ficar bravo e, se achar necessário, pedir a ajuda de algum adulto se um de seus colegas o incomodar ou o agredir de alguma forma, seja ele quem for. Mostrar aos colegas que eles não estão agindo de uma maneira bacana é uma forma de ajudá-los a viver melhor na sociedade. Quando não fazemos isso, estamos tratando-os como “café-com-leite”, e ninguém gosta de ser tratado assim, não é?


Maria da Paz Castro (Gunga) é educadora da Escola da Vila, em São Paulo.
Trabalha com os alunos e com os professores de crianças com necessidades
educativas especiais e ministra cursos sobre o tema inclusão
no Centro de Estudos da Escola da Vila.

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