domingo, 14 de março de 2010

O ALUNO COM DEFICIÊNCIA NA ESCOLA REGULAR

Escola regular não está preparada para receber aluno com deficiência
Por Da Redação - agenusp@usp.br

Publicado em 19/julho/2007


Por Vanessa Portes / vanessaportes@usp.br

Atualmente, no Brasil, jovens com algum tipo de deficiência física ou mental podem tanto estudar em escolas especiais como em escolas do sistema regular de ensino. No entanto, de acordo com uma pesquisa realizada pela professora de educação física Marcia Greguol Gorgatti, as escolas do sistema regular não estão preparadas para receber esses jovens.
“A inclusão do aluno com deficiência não está ocorrendo nas aulas de educação física do sistema escolar brasileiro. Apesar de funcionar, não é um processo fácil; requer uma estrutura adequada e informação dos professores”, analisa Marcia. De acordo com ela, o que comumente ocorre é a colocação do adolescente na aula sem nenhum tipo de respaldo, como, por exemplo, fazendo-o desenvolver uma atividade separada do resto da turma ou pedindo para o auxiliar da aula cuidar dele.
Para sua tese de doutorado, Marcia analisou aspectos da aptidão física de 24 adolescentes cegos com idade entre 14 e 16 anos do sexo masculino, sendo 12 de escolas regulares e 12 de uma escola especial, e a percepção deles, via questionário, sobre as aulas de educação física. Também analisou por intermédio de outro questionário as atitudes de 90 professores de educação física da rede pública e da rede privada de ensino com relação à inclusão de alunos com deficiência nas escolas regulares.
“Foram feitas 3 medições em 16 meses do crescimento físico, da adiposidade e da aptidão física dos adolescentes, verificando entre outras coisas a velocidade, a flexibilidade e resistência abdominal deles”, conta a pesquisadora. O estudo é da Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da USP.
Inclusão com dificuldades
Nos testes de aptidão física, os alunos da escola especial apresentaram resultados superiores e uma melhor evolução em praticamente todas as variáveis pesquisadas. Além disso, em relação à aceitação e à competência percebidas, novamente os alunos da escola especial demonstraram resultados mais positivos do que seus colegas de escolas inclusivas, afirmando serem mais participativos nas aulas e sentindo-se mais bem aceitos pelos colegas e pelo professor.
“Observou-se que os adolescentes da escola especial apresentaram um conceito de educação física mais relacionado à saúde, à convivência com os amigos e ao ganho de independência; aqueles de escolas inclusivas destacaram o conceito de educação física vinculado ao esporte e, em alguns casos, não conseguiram perceber sua importância enquanto disciplina escolar”, diz Marcia.
Quanto à atitude dos professores, verificou-se que as maiores preocupações foram sobre sua falta de preparo e a escassez de estrutura da escola para receber, de forma adequada, alunos com deficiências. “Cerca de 48% dos professores não gostam de receber alunos com deficiência”, aponta a professora.
Os professores avaliados que tinham até dois anos de experiência apresentavam mais otimismo em relação ao benefício que a educação física proporcionava aos alunos com deficiência e demonstravam mais interesse e empenho em fazer especializações na área.
“Não houve diferença na atitude de professores da rede pública e da rede privada”, observa a pesquisadora. Segundo ela, ambos concordavam que a inclusão dos alunos com deficiência é importante para todos os alunos, com deficiência ou não, mas se sentem despreparados para lidarem com esse tipo de aluno.

Formação deficitária

Marcia relata que o despreparo dos professores também decorre da formação que recebem dos cursos universitários. “Apesar de existir uma disciplina que trata do assunto, ela é lecionada no fim do curso, normalmente no quarto ano, quando já se aprendeu sobre todos os esportes e nenhum professor falou sobre isso”.
A professora afirma que, apesar de sua dificuldade, a inclusão no ensino da educação física não deve ser deixada de lado já que muitas vezes é a única oportunidade que o jovem com deficiência tem para praticar uma atividade física. “O adolescente com deficiência não reúne os amigos para jogar bola, não brinca na rua; por isso, a educação física é tão importante para ele”, diz ela.

Mais informações: (0XX43) 9902-1236 com Marcia Greguol Gorgatti; e-mail mgreguol.@ig.com.br.

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